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Superendividamento: o conceito e a quem ele se dirige

Karine Reis

Superendividamento não é sinônimo de ter dívidas. É conceito específico do direito do consumidor: descreve a situação de quem, de boa-fé, se tornou incapaz de pagar o conjunto das suas dívidas de consumo sem comprometer o mínimo necessário à própria subsistência.

Dois elementos sustentam essa definição. O primeiro é a boa-fé: dívidas contraídas já com a intenção de não pagar ficam de fora. O segundo é o mínimo existencial — a parcela da renda que precisa ser preservada para moradia, alimentação, saúde e demais necessidades básicas.

Que dívidas entram

  • Empréstimos e financiamentos.
  • Cartão de crédito e crédito rotativo.
  • Contas de consumo continuado.
  • Compras parceladas.

Ficam de fora as dívidas que não decorrem de relação de consumo, como as de natureza fiscal ou alimentar, e aquelas originadas de contratação sem boa-fé.

A repactuação

O tratamento previsto é a repactuação: reunir os credores para construir um plano de pagamento que caiba na renda disponível, preserve o mínimo existencial e estabeleça prazo para a quitação. A lógica não é perdoar a dívida, e sim torná-la pagável.

Quando a negociação consensual não avança, existe a via judicial, na qual o plano pode ser estabelecido alcançando também os credores que se recusaram a negociar.

O que levantar antes

  • Relação completa das dívidas, com credor, valor e origem.
  • Comprovantes de renda.
  • Despesas fixas mensais.
  • Contratos e propostas de renegociação já recebidas.

É esse levantamento que permite avaliar se a situação se enquadra no conceito e qual caminho — administrativo ou judicial — é o adequado em cada caso.

O conteúdo deste site tem caráter meramente informativo e não constitui consulta ou orientação jurídica.